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Anticorpo

É... Tenho esse defeito
Carrego na face a fleuma
De andar por aí sem defesa
Sinto cólera, culpa, despeito
Desânimo, ódio, desespero
Mas também sinto vergonha
Disto não tenho medo

Por vezes perco a fé em mim mesmo
Eu sei quem eu sou
Mas as vezes me esqueço
Das minhas fraquezas, porém
Não me eximo nem me isento
Nem disto nem d’outras vilezas

Essa mesma cara que ri
Desaba e lamenta
A mesma cara que chora
Demonstra esperança
A mesma cara que espera
Esboça descrença
É! Eu tenho esse problema

A impecável postura dos mentirosos
Não me cai muito bem. Não sustento ...
Entre os anfitriões da falsa nobreza
Tropeço nas minhas infâmias
Minha educação nunca foi a etiqueta
Exponho desgosto e desavença
Ponderar o discurso, não consigo
Me escapa o que penso
Berro injúrias, cuspo ofensas
Tristeza saber que é sempre inútil
Mas é minha natureza

Ingiro mentiras pelos poros
Mais tristemente, as minhas
Contamino, adoeço, não durmo
Digiro até expelir por inteiro
Este ser estranho, inoportuno

Meu mal-estar, não disfarço bem
Dissimular é arte que não possuo
Deus que me proteja e acuda
Pois ando por aí sem escudo

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Caravana

É grande o peso que carrego?

Não importa.
Se tiver que levar, eu levo
Se não conseguir andar, arrasto
Se, de repente, cansar, eu paro
Mil anos parado, aguardo...
Enquanto há fôlego, há pulso
Mesmo parado, prostrado
Eu continuo!

Grande é o peso que carrego...

Se tiver terra onde errar, eu erro
Se tiver pecado pra pecar, eu peco
Se não puder falar, escrevo
Se estiver escrito, apago
Se não puder escrever, eu penso
Mesmo que seja proibido
Se tiver que fazer, eu faço!

O peso é grande, mas eu o carrego...

Carrego porque sou levado
Pois algum dia, quem sabe, levanto
Levanto porque sou erguido
Erguido pela força de mil braços
Clamor ao céu leva o suplício
Mil gritos urgem atrás dos tímpanos

“Continua…”

Continua porque a vida não é minha
Ela quem nasce, cresce e caminha
Caminha porque me é alheia
Força que Deus provê e determina
Eu, apenas, um acidente na areia
Continuo porque é minha sina
Uivando, gemendo, pedindo
Levado porque a natureza quer e precisa

É grande, o peso. Eu o carrego?

Isto Posto

A quem eu quero enganar?...
O trânsito, o engarrafamento, o stress, os eventos
O fashion, a crise econômica do momento
A política, a corrupção, a falência humana
A tradição moral decrépita, fútil e decadente
A extinção preeminente da vida orgânica
As guerras e a paz aparente.
Se vai fazer sol, se vai chover. ou se vai trovejar
Os dias seguem arrastados, maçantes, iguais...

Quanto a mim, sou essa redução de estômago
Vinculado à insignificância do meu decorrer
À ridícula idiossincrasia que somente eu
Nesta vida, em todo o universo, vou desconhecer
E comigo, ao meu lado, o todo que me excede
Vai putrificar, definhar e inevitavelmente perecer
Na intransponibilidade silente de seu próprio ser