Pular para o conteúdo principal

Gosta de mim

-Gosta de mim!
Está tudo tão claro
Está tudo tão certo...

Não haverá o próximo segundo
Após o seu segundo gesto, juntos
Em momentos sublimes, repletos de silêncio oportuno
Abraços apertados, olhares estáticos, mútuos
Dedos emaranhados, confusos, aconchego
Rostos colados, carinhos e afetos.

Entremeio esse tempo difuso e imersível
Flutuamos livres, absortos, absolvidos
Desapercebidos, desavisados, atentos somente
Às palavras deixadas no vento, ao léu, cravadas no caule
Das árvores, pinchadas nos muros das cidades
Descidas das nuvens do céu da boca

Caindo como chuva doce no hálito quente
Pousando obliquamente ao pé do ouvido
Tímidas, reticentes dos movimentos sentidos
Nos sorrisos singelos dos lábios umedecidos
Línguas traduzidas em atos e medidas
Discretas, sutis, exatas de bom senso

(...)

-Gosta de mim!

Comentários

  1. Lindeo poema escrito na docura entre afetos e doce sabor de um beijo de Amor ,muito bom de se ler e reler.
    Abraços
    Susan

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Caravana

É grande o peso que carrego? Não importa. Se tiver que levar, eu levo Se não conseguir andar, arrasto Se, de repente, cansar, eu paro Mil anos parado, aguardo... Enquanto há fôlego, há pulso Mesmo parado, prostrado Eu continuo! Grande é o peso que carrego... Se tiver terra onde errar, eu erro Se tiver pecado pra pecar, eu peco Se não puder falar, escrevo Se estiver escrito, apago Se não puder escrever, eu penso Mesmo que seja proibido Se tiver que fazer, eu faço! O peso é grande, mas eu o carrego... Carrego porque sou levado Pois algum dia, quem sabe, levanto Levanto porque sou erguido Erguido pela força de mil braços Clamor ao céu leva o suplício Mil gritos urgem atrás dos tímpanos “Continua…” Continua porque a vida não é minha Ela quem nasce, cresce e caminha Caminha porque me é alheia Força que Deus provê e determina Eu, apenas, um acidente na areia Continuo porque é minha sina Uivando, gemendo, pedindo Levado porque a natureza quer e precisa ...

O Desejo da Puta

A puta observa o dinheiro deixado na penteadeira Ela fixa o olhar com certeza de que está tudo ali Mas com a desconfiança vazia de lhe faltar algo... Ela vê o conserto da goteira do seu quarto fétido Um novo vestido,maquiagem, novos lençóis e cortinas O arroz e o feijão, fralda e leite ninho para o menino Que chora ao pé da cama recém-usada, alheio ao destino “O que será? Eu contei errado?” -pensa ela Tomada por uma mágoa mórbida, ela descobre Está tudo ali: a sobrevivência de um novo dia. Faltava-lhe apenas a vontade de viver um outro dia...

Despertar Letárgico

Abre teus olhos...Acorda! Pousa teus pés descalços no chão gelado Aterrissa na tepidez da realidade palpável E com um olhar ameno de brilho apagado Observe a inércia da parede à frente Encare e aceite tal semelhança inegável Abre teus olhos...Levanta! Suspende tua carcaça cansada Castigada pela leveza da cama Erga tuas pálpebras pesadas Até metade dos olhos apenas Metaboliza tuas vísceras viciadas Em desvirtuar idéias pequenas Não pense, seja razoável Acolha alheias razões Contemple no cotidiano Minucioso é o cálculo Perniciosas, equações Ressurja mesmo que seja tarde Ainda que a esperança se acabe Insurja controverso e desobediente Contra-costume, contra-praxe Respire! Ensaie tua sorte Expire antigos ares Inspire versos fortes Aspire às tempestades Que guiam o vento norte Esperte! Extirpa a miséria sem misericórdia Entorna, em tuas lágrimas, teu anseio Afoga a compaixão que te comporta Enxuga o choro áspero de veneno Abre teus olhos e veja! Hibe...