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Prosopopéias

(...) Quando o mundo não toma jeito O poema toma forma de discurso O intento toma prumo de protesto A palavra vira o verso e revira Desdobra o universo ao avesso Em meio as nuvens turbulentas A poesia brada, a trova troveja Uma proposta arriscada se apresenta O verdadeiro significado relampeja O firmamento, antes impensável Incrível! Agora veja, é fato! Ele estremece, ele cambaleia... Um espaço se abre para os novos valores Um caminho se abre para outros conceitos Novos pilares se fincam e se erguem Nada mais derruba a estrutura verdadeira (...)

Trégua

Em algum lugar ermo e sereno, terreno que a ninguém pertence, as tropas da libertação exaustas bebem água, ofegam e abrigam-se. Logo anseiam por um breve ensejo. É a pausa que concretiza um eterno momento marcado por um sonho pertinente e passageiro: a paz. A bandeira branca hasteada sacode aos altos ventos: - Parem todos! Faz-se encarecido apelo. E o mundo lá fora dantes hostil e desatento, presto vem abraçar o mundo férreo e indomável aqui dentro. Coagula-se o sangue. Estanca-se o escorrimento.

Novo livro disponível para compra

Olá Amigos, neste sábado, 05 de fevereiro de 2011, obtive uma nova conquista particular. Meu segundo livro foi lançado e já está disponível para compra site da Seven Virtual Book junto com outros lançamentos na primeira página. Abraço à todos que colaboram no processo valeu ;-)

Ensaio sobre o tempo

Nunca é suficiente. Tudo é muito pouco perto do “nunca” Não espere, se apresse, não corra, não fique, se esconda, não fuja! Tudo é insatisfatório Sempre deve haver mais Mais é sempre pra frente procure, persista, não acharás mais tempo, consenso, mais vida! Nada é sempre indefinitivo Nada é definitivamente pra sempre Sempre é intermitentemente nada Tempo é definitivamente insistente em deixar-se passar desapercebidamente sem sabermos que nunca sempre é sem sentido

Boa Noite

Boa noite, se eu não durmo Pois a poesia não me deixa dormir. Ela está bem aqui, lá, no ar, acolá, em todo lugar querendo dizer querendo falar Fecho os olhos, não consigo sou compelido a abri-los. Minhas pálpebras pesadas já não carregam O peso que trago comigo. É denúncia, é verdade É tristeza, é saudade São ecos passados, desejos futuros Mas é sempre alegria Empunhar a caneta E extravasar poesia... Já está claro e mesmo assim Finalmente, posso dormir. Adormeço aquecido ao calor De seu hálito rente ao ouvido: - Belos sonhos! Ela me sopra baixinho.

Adeus

Ouça-me! EU VOU EMBORA! E quando já estiver desaparecendo no firmamento Confundido entre as linhas turvas do horizonte sem fim Lembre-se do sorriso alegre no meu olhar distraído Quando você piscar, já estarei noutro lugar Possivelmente mais contente e mais feliz!

Pescaria

Lua cheia, mata cheia Uma pinga, um facão Meia-noite, noite límpida Uma isca, um violão O rio desce com força e correnteza Um silêncio permeia o ar e me apraz No rosto, desenho um sorriso travesso O rio segue o riso em seu leito voraz Sentado na beira da proa Erguendo o velho caniço de ponta quebrada Com um pedaço de linha mal amarrada E com pés molhados, imersos, à toa Assisto alheio o angu desmanchar na água Ensaiando assim uma pescaria mal amanhada Para a febre das piabas Minha atenção descançava noutro lugar. Lá!... Sobre o afago das ondulações No mistério camuflado na profundeza Sob o manto cintilante estrelado Onde a luz que persevera Ao incidir na imensidão A perder-se em linha reta Vi essência e vi beleza De todas essas incertezas Que me perturbam a imaginação Na constância do tapete fluvial Um grande ponto de interrogação E o peixe, que nada sabe sobre isso Interrompe minha pesca Ao desfisgá-lo, escorrega E cai da minha mão... Aí me vem frus...