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Insumo

O insumo seria o bagaço da cana Que vira doce, açucar, rapadura e torna cana Que toma a gente como a gente a toma E nos consome em gomos até ficar em coma O insumo seria o bagaço laranja Que tem o amargo e tem o doce E a gente come como se nada fosse E a ácida casca mastigamos com olhos lacrimosos E por não se conseguir com gula Quando nada sobra da matéria bruta Então, em suma, resta o verso E se ainda ficou sumo no decorrer do processo Logo vê-se que faltou argúcia, não se viveu direito Trabalhar a amargura é o jeito certo Devolvê-la a doçura e nutrir-se dela Saturar, sugar até esgotá-la por completo.

Do Alto

A Arte é um quadro pendurado na sala de estar. Permeia o ar com o rumor de seu silêncio Enfeita o ambiente com sua presença sombria Enquanto os olhares receosos apenas a superfície lhe visitam Seu mistério sério e contudente nos envolve incisivamente Marca-nos com seu olhar tenro, sereno E os que ali a vêem assim inútil, inofensiva e inocente São estes que seguem improfícuos, levianos e ausentes Tomados pelo temor inexorável do além. Ó Arte, humano e onipresente espírito! Preces, dúvidas, indagações e desejos! Inusitada, seja como a volúpia do arrepio Vultosa, apareça como um sopro de calafrio Generosa, alimenta o ócio com ensejo Delicada, acalenta a alma com a própria vida Real, permaneça como um fantasma. Não urge nem age por desesperança ou descrença Perdure despreocupada com a sobrevivência. Jamais, a Arte, subestime! Ela nos assiste de cima Do alto da parede da sala do ser e do estar.

Livro também disponível no site da AMAZON e Livraria Cultura

Amigos, o livro 'Todos os sentidos' também poderá ser adquirido pelo site da AMAZON pelo preço de $17.00 e na Livraria Cultura pelo preço de R$ 27,84. Támbem passou a ficar disponível para pesquisa no Google Books . Confiram lá!!! Abraço a todos

Prosopopéias

(...) Quando o mundo não toma jeito O poema toma forma de discurso O intento toma prumo de protesto A palavra vira o verso e revira Desdobra o universo ao avesso Em meio as nuvens turbulentas A poesia brada, a trova troveja Uma proposta arriscada se apresenta O verdadeiro significado relampeja O firmamento, antes impensável Incrível! Agora veja, é fato! Ele estremece, ele cambaleia... Um espaço se abre para os novos valores Um caminho se abre para outros conceitos Novos pilares se fincam e se erguem Nada mais derruba a estrutura verdadeira (...)

Trégua

Em algum lugar ermo e sereno, terreno que a ninguém pertence, as tropas da libertação exaustas bebem água, ofegam e abrigam-se. Logo anseiam por um breve ensejo. É a pausa que concretiza um eterno momento marcado por um sonho pertinente e passageiro: a paz. A bandeira branca hasteada sacode aos altos ventos: - Parem todos! Faz-se encarecido apelo. E o mundo lá fora dantes hostil e desatento, presto vem abraçar o mundo férreo e indomável aqui dentro. Coagula-se o sangue. Estanca-se o escorrimento.

Novo livro disponível para compra

Olá Amigos, neste sábado, 05 de fevereiro de 2011, obtive uma nova conquista particular. Meu segundo livro foi lançado e já está disponível para compra site da Seven Virtual Book junto com outros lançamentos na primeira página. Abraço à todos que colaboram no processo valeu ;-)

Ensaio sobre o tempo

Nunca é suficiente. Tudo é muito pouco perto do “nunca” Não espere, se apresse, não corra, não fique, se esconda, não fuja! Tudo é insatisfatório Sempre deve haver mais Mais é sempre pra frente procure, persista, não acharás mais tempo, consenso, mais vida! Nada é sempre indefinitivo Nada é definitivamente pra sempre Sempre é intermitentemente nada Tempo é definitivamente insistente em deixar-se passar desapercebidamente sem sabermos que nunca sempre é sem sentido