Pular para o conteúdo principal

Postagens

Horas Mortas

TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC Caminha, incansável, o ponteiro de segundos Rumando sempre para a mesma estação Marcando, passo a pequeno passo, o vazio Das horas mortas de sofreguidão TIC-TAC, TIC-TAC, TIC-TAC Comedindo o tempo esgotado Barulha a mecânica existencial Mas a máquina, de fato, não existe Apenas o tempo retilíneo é real

Soneto do Rei Álacre

Alguns anseiam construir império Outros contentam estar no mesmo Sobretudo mais presunçoso sou eu Que, supremo, por estas linhas, reino Minha vaidade está completa Minha ambição foi satisfeita Fui rei tirano, fidalgo e plebeu Soem, o choro, as trombetas! Aqui sou autoridade unívoca Soberbo, soberano me sei bem A leveza da expressão, exerço Livre por arbítrio da palavra, porém Escrevo, feliz, estes versos Sem nunca subjugar ninguém

Não me entendas

Te equivocarás! Isto que tu veres É passageiro e fugaz Não me intentas! Aquela paz entusiasta, não verás Indo do indeterminado ao ignoto Em outro estado, já me encontro Exaustivamente pasmo pergunto: - Onde estou?

Texto Mutilado

Encarnei, sem nem mesmo conhecer, Bernardo Soares. Escrevi longos e breves aforismos sobre meu anonimato E se era, ele, apenas mais um membro mutilado Joguei fora também aqueles textos desassossegados   Assim o fiz, sem nem mesmo antes os lê De maneira tal, semelhante nos faz a vida Se nos livra antes mesmo de nos conhecer

Outono

Quanto tempo demorei para entender Que o outono é o fim da primavera... Assim fazem os poetas. Dissimulam o óbvio implícito Esfregam em nossas caras Sem nos deixar conceber Até que enfim sintamos Já não quero mais fazer isso. Quero bradar as quatro estações A redundância veemente dos pleonasmos Pois já não sei mais o que sinto... Perdi a noção do valor do sentido E não existe paz em nada dissimulado na vida...